sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

O sagrado eu (Poema masculino)

















Se eu te contasse que meu relógio vive adiantado, e meu armário bagunçado...Talvez você não gostasse de mim.

Se eu te contasse que eu fico em casa de bermudão rasgado, que ando sem nenhum tustão furado...Talvez você não sairia comigo.

Se eu te contasse que o meu carro é emprestado; que passo a noite acordado, pensando em dívidas que eu to atolado...Talvez você não saberia me amar.

Se eu te contasse que eu já fui casado, que tenho um filho malcriado... Talvez a mim você negaria.

Se eu te contasse que estou desempregado, e estou com os dias contados por um doidinho meio noiado...Talvez nem pena sentiria de mim.

Ah se eu te contasse!

Para a sua vida seria apresentado; como um astro apagado, do cinema do passado.

Lhe entregaria um papel dourado, escrito e autografado:

Que Serei o seu amor, se eu guardar o que é sagrado.

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Casual X Proposital

Casual é te encontrar.
Proposital é te olhar.

Casual é amar-te.
Proposital é disfarçar.

Casual é estarmos num mesmo lugar.
Proposital é a reação que temos.

Casual é ver uma foto.
Proposital é vê-la novamente.

Casual é ouvir.
Proposital é querer que os outros te ouçam.

Casual é errar.
Proposital é esconder os erros.

Casual é falar de coisas findas.
Proposital é sofrer novamente.

Casual é recitar um poema.
Proposital é querer que os outros te notem.

Casual é ouvir uma música.
Proposital é pensar em você.

Casual é ter grandes coisas.
Proposital é invejar.

Casual é namorar você.
Proposital é amar-te.

Casual é perdoar.
Proposital é esquecer.

Casual é pensar no que se diz.
Proposital é dizer o que se pensa.

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

O enigma da vida I ...

“Em algumas pessoas o desejo de viver parece morrer aos poucos, vivem apenas por ainda estarem vivos. E aos que acompanham esses, acabam do mesmo jeito, sentenciados.
Outros vivem tão intensamente, que a vida passa como um cometa, rapidamente. E aos que os seguem, os amam e sentem- se contagiados com tamanha plenitude.”

domingo, 14 de fevereiro de 2010

Amor e Traição

E na cabeça de Luiz José repete a trágica cena:
Lindaura, sua amada, beijando Lucio.
No momento do beijo, era como se um filme passasse na cabeça de Luiz José. Onde as lembranças de um amor perfeito pareciam o enlouquecer.
Luiz José permanece imóvel, perplexo e mudo, porém consciente.
Naquele momento ele podia sentir as mãos macias de Lindaura, deslizando pelas suas costas, assim como faziam com Lucio.
Com dores de cabeça, lágrimas entre sorrisos, está Luiz José a andar de um lado para o outro.
E num segundo, dentro de si, ouvia se um grito.
Ele agora não sabe o que fazer com os corpos estrangulados.
Seguiu caminhando em direção ao suposto casal apaixonado, apanhou Lucio pela gola da camisa e sem pestanejar, o mata.
Luiz José pode ver nesse momento, o sorriso e Lindaura quando ele a via.
A mulher permanecia a chorar, e ao mesmo tempo tentava explicar o acontecido.
Luiz José pensa em suicídio, e ao mesmo tempo, sente se infiel ao que aprendeu com vida.
Quando contemplou Lindaura a chorar, sentiu-se novamente traído, então avançou o pescoço da amada, e também a matou.
Segue agora rumo ao telefone, liga para a PM e faz uma denúncia anônima, esperando que a polícia venha buscá-lo.
E abraçava o corpo, e tentava fazê-la voltar, mesmo sabendo que era inútil.
E na cabeça de Luiz José repete a trágica cena:
Lindaura, sua amada, beijando Lucio.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Don´t cry

Passa o tempo,
Não o vejo passar.
Choro a todo o momento.
Agonia no ar.

Passam os anos.
Tristeza total!
Mudança de planos,
Fuga do real.

Passam os meses.
Lágrimas constantes.
Sorriso ás vezes,
Coisa de instantes.

Passam os dias,
Sem perceber;
Com nostalgia,
Lágrimas a descer.

Passam as horas.
Ninguém me vê!
Minha alma chora,
Não tenho você.

Passam minutos.
Doente estou.
Vejo vultos.
A alegria acabou.

Passam segundos.
Lágrimas mortas.
Gritam os mudos,
Fecham-se as portas.

Passa a vida.
Descanso em paz.
Chance perdida,
Que não volta atrás.

Ruídos


Ouço gente falando.
Estou vivendo,
Com gente falando,
A todo o momento.
Tento evitar,
Mas eles estão falando;
Falando alto, sussurrando.
Alguns gritam, outros cospem,
Mas todos produzem algum som.
Um barulho de gente falando.
Eles não estão conversando entre si.
Eles só estão falando.
Falando sozinhos, falando comigo.
Eu os ouço, mas não os escuto.

Para quê falar de solidão?

Fiz um poema sobre solidão.
Ao som de canções melancólicas,
em uma manhã fria, num resto de papel que encontrei.
Tudo estava tão abandonado quando eu falei de solidão!
O passarinho na minha janela não cantava uma canção.
Na rua todos mal se cumprimentavam sem muita emoção.
A terra, já não mais fazia o movimento de translação.
Tudo estava tão abandonado quando eu falei de solidão!
As nuvens desengonçadas, cada uma em uma direção.
Os trabalhadores trabalhavam sem nenhuma aptidão.
As rimas do meu poema perdiam a inflexão.
Tudo estava tão abandonado quando eu falei de solidão!
Falava de solidão.
Era nela que encontrava companhia para os meus dias tristes e obscuros.
Terminara então o meu poema, pois já não mais estava sozinha:
A solidão me acompanhava.

Açaí

A pequena menina cresceu e precisa escolher o seu par.
Não precisa ser perfeito, é necessário a amar.
È preciso ser autêntico e também a conquistar.
È preciso ser sincero, sem precisar gritar.

A pequena menina quer um homem, que goste de viver.
Que ame coisas simples, como ver o sol nascer.
que a ajude, quando vê-la cair.
Que faça a sua barba, e que tome açaí.

Ela quer alguém que a chame de namorada.
Que a mande calçar os chinelos, ou mesmo andar na calçada.
Que a surpreenda sempre que puder.
Que lave bem as mãos, e que não coma de colher.

A pequena menina quer alguém, que se preocupe em vê-la feliz.
E quando o futuro fizer alguma lágrima escorrer pelos seus olhos, que não alcancem o nariz.

Espero não morrer amanhã


Não me apresse, ainda há tempo!
Espero não morrer amanhã.
Vou aprender a tocar violão.
vou sorrir e parar de chorar.
Não me apresse!
Espero não morrer amanhã.


Vou comer, vou te olhar.
vou dormir, vou andar.
Não me apresse!
Espero não morrer amanhã.


Vou tomar a maldita da pílula.
Virar a noite a estudar.
Só te peço que não me apresses!
Espero não morrer amanhã.

Vou cumprir meus afazeres.
Vou me apaixonar.
Não! Não me apresses.
Espero não morrer amanhã.

Vou ir a igreja, vou te ligar.
Seguir as regras e agradar.
Só não quero que me apresses.
Espero não morrer amanhã.

Vou ver aquele filme.
E até meu cabelo arrumar.
Não preciso que me esperes.
Apenas não me apresses.
Espero não morrer amanhã.

Vou comemorar meu aniversário.
Vou ter um bicho pra cuidar.
E me irritar por quê?
Espero não morrer amanhã.

Vou comprar um vestido novo.
Prometo não me atrasar.
Não me apresses meu bem.
Espero não morrer amanhã.

Vou tirar férias, vou viajar.
Vou escrever um poema e até dançar.
Tudo bem devagar!
Não queria antecipar.
Espero não morrer amanhã.

Vou conhecer a praia.
E de bike aprender a andar.
Para quê tanta euforia?
Espero não morrer amanhã.

Vou ir ao médico.
Vou passar no vestibular.
O relógio é meu amigo.
Espero não morrer amanhã.

E quando o amanhã chegar.
Ninguém é imortal!
Aqui estarei eu a cantarolar.
Como um passarinho num dia de sol.
Como cigarra pela noite a voar.
Apenas esperando que a morte não venha amanhã...Mesmo sabendo que ela virá!

Vivência

Vivendo em preto e branco,
Vivendo no arroz com feijão.
Vivendo em uma discoteca;
Sem música, melodia ou canção.

Vivendo o sorriso de uma lágrima,
Vivendo sem rumo, destino ou direção.
Vivendo numa casa fechado;
Sem teto, lados ou chão.

Vivendo no rascunho,
Vivendo em processo de mutação.
Vivendo numa viagem;
Sem passagem, motorista ou condução.

Vivendo num sonho constante,
Vivendo numa imensidão.
Vivendo apreciando um céu;
Sem sol, lua ou constelação.

Vivendo a vida que é pra viver.
Vivendo de coração.
Vivendo desejando um mundo;
Sem ódio, tristeza ou solidão.

Olhares


Você possui olhares.
Olhares tão bonitos!
Olhares que escondem coisas.
Olhares que me mostram o infinito.

Olhares tão frios.
Olhares tão afetuosos.
Olhares que fazem de seres tão inferiores;
Reis, nobres e poderosos.

Olhares tão tímidos,
Olhares tão apaixonados,
Olhares sonolentos,
Ou quem sabe até fechados.

Olhares que só você tem.
Olhares são seus e de mais ninguém.
Olhares que meus olhos insistem em contemplar.
E quando encontro o meu leito, são eles que os meus olhos estão a procurar.

Olhares que revelam verdades,
Olhares que me mostram quem eu sou.
Olhares tão humildes,
Cheios de brilho e de amor.

Olhares alegres,
Olhares sentimentais,
Olhares tão perfeitos,
Que meus versos já não descrevem mais.

Deprecação

Não quero ver ninguém.
Feche a porta, apague a luz.
Eu só preciso de um pouco de paz.
Eu só quero estar em minha própria companhia.

Não me venha com broncas e sermões.
Feche a porta, apague a luz.
Volte outra hora!
Não quero que você me veja assim.

Não precisa tentar me animar,
Feche a porta apague a luz.
Dessa forma não verá as minhas lágrimas.
Ficarei bem aqui neste cantinho.

Não insista em querer ficar,
Feche a porta, apague a luz.
Esse lugar é muito sombrio pra você.
Eu repito, volte outra hora!


Não! Eu não quero remédios!
Feche a porta, apague a luz.
Não perca seu tempo com mesquinharias.
Tudo passa, isso também passará!


Tudo aqui é diferente.
Feche a porta, apague a luz.
A escuridão fará com que não veja o vazio dentro de mim.
Amanhã estarei bem melhor!
Agora, feche a porta e apague a luz.

Dismorfologia

Cheios de ondas são os meus cabelos.
E a minha vida tem ondas.
Hora mais calmas,
Hora mais agitadas.


Grandes são os meus olhos.
Assim também é a minha dor.
A causa é uma ferida,
Que nunca cicatrizou.

Baixinha é a minha voz.
Baixa como meu ego.
Como o amor próprio.
Para alguns isso é virtude. (assim como falar baixo)

Compridos são os meus dedos.
Minha complexidade também é assim.
Um jeito tão estranho.
Ninguém entende.

Magro é o meu corpo.
È como a maldade em mim.
Tão fininha e tão pobre.
Rejeitada.

Vermelho são os meus lábios.
Vermelho é o meu coração.
Se vermelho representasse a paixão,
Eu também seria vermelha. (apaixonada pela vida)

Bonito é o meu sorriso.
Assim como o meu amor,
Tão puro, verdadeiro e sincero.
Aos que quero tão bem.

Perder




















Perder, perder para quê?
Se a vida é mais bonita conjugando o verbo ter.

Perder, perder para quê?
Minhas manhãs e o meu lazer,
È tudo tão sem graça sem você!


Perder, perder para quê?
Onde você foi se esconder?
Nunca mais irei te ver.

Perder, perder para quê?
Só assim é que percebemos a importância de um ser.


Perder, para entender o sentido do sofrer.
Perder, para sentir o gosto amargo do fel, e só então perceber;
que tudo se perdeu, quando eu perdi você!

Prudência

Quando escrevo, eu penso.
Por que escrever se desfaleço?
Quano eu penso, escrevo.
Por que pensar se entristeço?
È quando estristeço que eu penso.
E é quando eu penso, que eu escrevo.
Mas se pensar me faz escrever...
Por que escrever se desfaleço?

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

E a cabeça que não para de pensar...

"Não deem importância aos erros, e sim a forma com que se procede após errar..."



"Eu questiono Renato Russo ao dizer que o amor é ferida que dói e não se sente, isso só vale enquanto se é correspondido."


"Minha vida,
Os lugares,
Parecem vidas distintas."


"Tão sublime quanto o nascer do sol e o nascer de uma vida."