quarta-feira, 5 de maio de 2010

Outono


E desta maneira vou vivendo.
Vou me fechando para o mundo.
Vou redimensionando o tamanho do meu sorriso.
E deixando o meu olhar pálido, sem brilho.


Estou a esperar algo inusitado.
Uma surpresa boa, como aquelas dos anos atrás.
Ou mesmo um pouquinho de humor.
Para me fazer gargalhar nem que seja por alguns minutos.


Procuro alguém que me ouça sem reclamar.
Que enxugue minhas lágrimas e que tome as minhas dores.
Que respeite o meu silêncio e as minhas repetições.
Que não me aconselhe, mas abrace-me.


Sei que tudo isso faz parte do maquinário.
É uma espécie de fôrma, para retirar as bordas que não servem mais.
È aquela estação que caem as folhas secas, para nascerem as bonitas.
Contudo, a mudança mesmo que para melhor, machuca.
Portanto, tenho aprendido, mesmo que no meu mundo, e mesmo que por alguns segundos eu precise chorar.

segunda-feira, 3 de maio de 2010

MEDO

Aqui estou
No meu mundo fechado.
E o pensamento rodeado,
De reflexos e medos.

Medo de ficar sozinha.
Medo de ficar na minha.

Medo de ser a única a pensar diferente.
Medo de ficar doente.

Medos que vem e vão, numa sina constante.
Que como um fantasma vaga, pelas ruas ambulante.
Medo de não alcançar, o que esperem que eu alcance.

Medo de não fazer nada por ninguém.
Medo de esquecer que eu também sou alguém.
Medo de dar tudo que tenho e ficar sem.


Medo de chorar.
Medo de amar.
Medo de me expressar.
Medo de errar.


Medo de dizer.
Medo de me esquecer.
Medo de querer.
Medo de ser.

E por um instante.
Tive coragem,
E, diga-se de passagem;
Não tive medo de revelar meus medos!