
E desta maneira vou vivendo.
Vou me fechando para o mundo.
Vou redimensionando o tamanho do meu sorriso.
E deixando o meu olhar pálido, sem brilho.
Estou a esperar algo inusitado.
Uma surpresa boa, como aquelas dos anos atrás.
Ou mesmo um pouquinho de humor.
Para me fazer gargalhar nem que seja por alguns minutos.
Procuro alguém que me ouça sem reclamar.
Que enxugue minhas lágrimas e que tome as minhas dores.
Que respeite o meu silêncio e as minhas repetições.
Que não me aconselhe, mas abrace-me.
Sei que tudo isso faz parte do maquinário.
É uma espécie de fôrma, para retirar as bordas que não servem mais.
È aquela estação que caem as folhas secas, para nascerem as bonitas.
Contudo, a mudança mesmo que para melhor, machuca.
Portanto, tenho aprendido, mesmo que no meu mundo, e mesmo que por alguns segundos eu precise chorar.
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