terça-feira, 27 de abril de 2010

Quando se perde a poesia...

Perdi a poesia, e não sei onde à encontrar.
Perdem-se tantas coisas, mas perda de poesia. Nunca ouvi falar!
Talvez na correria da vida, que me impede de pensar.
Talvez num beijo gostoso, que não consegui lhe dar.
Talvez na dor constante, que faltou tempo pra chorar.

Por muitos dias, em palavras e pessoas; procurei por ela.
E não à encontrei.
Eu escrevi muitas coisas, não gostei e apaguei.
Eu ouvi muitas canções, e em poucos minutos, enjoei.
Eu tentei dizer coisas bonitas, não teve jeito; me calei.

A poesia me deixou.
Aquela flor no jarro, sem água. A pobrezinha murchou.
E no meu peito um sentimento de dor.
De sentimentos não expressos ódio, tristeza, alegrias e amor.

Ainda não a encontrei.
Vou terminar esse poema de uma forma que eu nem sei.

Sem poesia, sem letra vou escrevendo ao leu.
As palavras que como pássaros livres; giram, giram, pelo céu.

Espero que não seja a frieza que matou a poesia assim.
E desejo que o fogo do amor, possa aquecer tudo de bonito que um dia viveu dentro de mim.

Conclusões...

"As pessoas um enigma
A vida um labirinto sem fim.
Vivemos em buscas de saídas, de respostas, de portas."


"O que responder? Em quem confiar?
Pra quem se esconder? A quem se doar?"


"Quando você escolhe não escolher nada, isso já é uma escolha."

domingo, 18 de abril de 2010

Eu, ele e o violão


E lá estava ele, sentado na beira da porta.
Com os pés descalços, e as meias furadas.
Com o violão no colo, ele tocava uma canção.


E lá estava ele, eu também estava lá.
Sentada ao seu lado com um vestidinho de xita.
Cantava alegremente, as músicas que eu tinha aprendido na escola.

E lá estava ele, tocava sempre as mesmas notas.
Mas era tudo tão bom.
O mundo era apenas eu, ele e o violão.

Agora ele está aqui, sentado na escada.
Os seus dedos estão enrugados, mas ele ainda toca.
Eu já não estou mas aqui.
E as meias...Ah...as meias continuam furadas.

sábado, 17 de abril de 2010

Vivente ou Encantante?

Não precisa ler os meus poemas.
Não precisa entender o que estou sentindo.

Nós poetas, somos loucos.
E as pessoas insensíveis demais, para entender o que há por trás das letras.


Já gastei muitos papéis, com lágrimas que nunca pararam de rolar.
Já amei muitas pessoas, que nunca souberam me amar.

E quando eu achava que o que sempre me atormentava era a solidão.
Surgiu um vazio maior ainda, um buraco que me consumia.
Algo sem definição.


Eu começo então a acreditar, que algumas pessoas nascem para viver, outras para encantar.Eu nasci para encantar.
É como se eu pintasse um mundo lindo para as pessoas viverem ,enquanto eu morasse em um porão.

Essa é a função do poeta, muitas vezes entre tantas lágrimas de decepções amorosas,
escrevemos poemas, que se trasformam em cartas apaixonadas das pessoas "viventes". Enquanto nós "os encantantes" permanecemos, com uma dor infinita, remediada por curtas frases.


É tudo tão lindo quando se lê, mas tudo tão doloroso quando se escreve.
E quando acaba o poema, quando está na ultima linha, a dor ainda não se foi. Ela apenas silencia.
E aguarda o proximo crepusculo de decepções, para se solidificar, e construir lindos poemas novamente.


Nos os encantantes, permanecemos pintando o mundo com palavrinhas, e sorrindo com a alegria dos viventes.

No final o mais gratificante de tudo é carregar uma certeza:
"Só tem dor, que tem ou ja teve amor."

domingo, 11 de abril de 2010

Num momento de dor...

Quem vai ouvir os meus gritos?
Quem vai sentir a minha dor?
O mundo é tão grande,
Nele habitam tantas pessoas!
Mas às vezes, parece não morar ninguém.

E no fundo dos meus olhos, a alegria das lembranças. De um passado que nunca existiu.
Esse é o motivo da minha existência.
Talvez um distúrbio, ou uma alucinação causada em momentos tristes.
Um delírio!
Sonho com momentos que não aconteceram, e os considero melhores do que, os que estou vivendo.
Um martírio!
Mas por um segundo, uma alegria. De ter vivido momentos bons, mesmo sendo esses fantasia, uma doce loucura.
Permaneço a pensar, a dor ainda está bem aqui dentro. E a solução anda longe daqui.
Corre pelo mato a fora, onde a minha alergia à ervas daninhas, e os meus problemas respiratórios me impedem de correr atrás dela. Não consigo mais vê-la.
E por um momento, apenas por um momento, eu fecho os meus olhos. Conto até cinco. E abro os lentamente, até entrar a primeira fenda de luz. E tudo está, tão somente e evidentemente, como deixei há um momento atrás.
Não era um sonho, nem tudo se desfaz com energia do pensamento.
As lágrimas já se foram, mas não lavaram a minha dor. E quando eu olho para o mundo, este mundo tão grande no qual eu me referi no inicio. A meu grito ecoa, e o som da minha voz faz doer a minha cabeça. Eu começo a andar, a procurar, e acabo me perdendo.
Eu não sei onde é o fim, e também não o procuro.
Enquanto isso, a saudade, a esperança, e a fantasia invadem os meus pensamentos.
Eu me deito no chão, e com uma leve expressão, começo a sorrir.