sábado, 17 de abril de 2010

Vivente ou Encantante?

Não precisa ler os meus poemas.
Não precisa entender o que estou sentindo.

Nós poetas, somos loucos.
E as pessoas insensíveis demais, para entender o que há por trás das letras.


Já gastei muitos papéis, com lágrimas que nunca pararam de rolar.
Já amei muitas pessoas, que nunca souberam me amar.

E quando eu achava que o que sempre me atormentava era a solidão.
Surgiu um vazio maior ainda, um buraco que me consumia.
Algo sem definição.


Eu começo então a acreditar, que algumas pessoas nascem para viver, outras para encantar.Eu nasci para encantar.
É como se eu pintasse um mundo lindo para as pessoas viverem ,enquanto eu morasse em um porão.

Essa é a função do poeta, muitas vezes entre tantas lágrimas de decepções amorosas,
escrevemos poemas, que se trasformam em cartas apaixonadas das pessoas "viventes". Enquanto nós "os encantantes" permanecemos, com uma dor infinita, remediada por curtas frases.


É tudo tão lindo quando se lê, mas tudo tão doloroso quando se escreve.
E quando acaba o poema, quando está na ultima linha, a dor ainda não se foi. Ela apenas silencia.
E aguarda o proximo crepusculo de decepções, para se solidificar, e construir lindos poemas novamente.


Nos os encantantes, permanecemos pintando o mundo com palavrinhas, e sorrindo com a alegria dos viventes.

No final o mais gratificante de tudo é carregar uma certeza:
"Só tem dor, que tem ou ja teve amor."

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